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Por Luciane Daux

sexta-feira, julho 18, 2014

VINHOS | Velho Mundo, Novo Mundo: nem tão distantes

Por Irineu Guarnier Filho - As Boas Coisas da Vida

Velho Mundo e Novo Mundo, pelo menos em matéria de vinhos, estão mais próximos do que supõem muito enófilos apaixonados por um ou por outro estilo, unicamente.

Os apreciadores de vinhos se dividem, basicamente, entre quem prefere vinhos varietais, ou seja, elaborados com a variedade da uva que lhe deu origem indicada no rótulo, como nos Estados Unidos ou no Chile, e quem aprecia o vinho pela região onde ele foi elaborado, como na França ou na Itália.

Os vinhos do Novo Mundo, influênciados por uma estratégia de marketing das vinícolas norte-americanas, quase sempre trazem impressos em seus rótulos os nomes das castas. Algumas tão populares entre os consumidores que já são conhecidas como "emblemáticas" de cada país, como a Malbec, na Argentina, ou a Tannat, no Uruguai.

Os vinicultores e consumidores europeus dão mais importância a uma região demarcada, como Bordeaux ou Bourgogne, do que às castas (geralmente várias) que compõem a bebida. Porque, para eles, o que realmente confere personalidade ao vinho, muito mais do que a variedade da uva, é o terroir (combinação de solo, clima, técnicas de vinificação).

Os dois modos de classificar o vinho têm vantagens e desvantagens, e são assunto de intermináveis debates entre enófilos. Não há como negar que a variedade impressa no rótulo, sistema popularizado pelos americanos a partir da década de 1970, facilita a escolha para os não iniciados (os conhecedores sabem que um Bourgogne, por exemplo, é elaborado com Pinot Noir ou com Chardonnay,  e não se importam que o nome da uva não apareça no rótulo). Mas também é verdade que um vinho da cepa Cabernet Sauvignon cultivada em Bordeaux é muito diferente de outro elaborado com uvas da mesma espécie colhidas em um vale chileno ou na Serra Gaúcha, devido ao solo, ao clima e ao ambiente completamente diferentes.

Então, o que melhor define um vinho? A variedade da uva ou o terroir? Para muitos conhecedores, não há o que discutir: o terroir. Ponto final. Mas, certamente movidos por razões mercadológicas, alguns vinhos europeus também estão começando a estampar em seus rótulos a variedade predominante no corte. Outra vitória do pragmatismo norte-americano sobre a tradição europeia? Isso para não falar que alguns Bordeaux respeitados estão atualmente com um grau a mais de álcool em média em sua composição. Consequência do aquecimento global, ou mais uma tentativa de agradar ao critico norte-americano Robert Parker - gurú novo-mundista?

Além disso, a briga entre rolha e tampa de rosca, que até bem pouco tempo colocava em cantos opostos do ringue o Velho e o Novo Mundo, arrefece. A boa aceitação mundial  da screw cap nos vinhos de consumo rápido da Austrália, Nova Zelândia ou África do Sul já desperta o interesse de algumas tradicionais casas vinícolas da Europa, que estão  testando, sem alarde, tampas de rosca em alguns de seus vinhos, algo impensável até bem pouco tempo. Nesse caso, pelo menos no Novo Mundo já existe consenso: rolha para vinhos longevos,  de guarda, e screw cap  para vinhos mais leves, de consumo imediato.

É bem provável que nos próximos anos a distância que separa o Velho do Novo Mundo enológico fique ainda menor. Para o bem ou para o mal, essa é mais uma consequência da globalização.

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