Gastronomia, culinária e outros interesses para os apaixonados
pelo prazer de cozinhar, comer bem e harmonizar.

Por Luciane Daux

sexta-feira, outubro 18, 2013

18/10/2013 - Outros poetas que me perdoem, mas Vinícius é fundamental

EDIÇÃO DE 18/10/2013  DA COLUNA COZINHA DE ESTAR/JORNAL NOTÍCIAS DO DIA, por Luciane Daux
Você deve estar se perguntando: “o que essa colunista andou fazendo, que deu de escrever poesia em um espaço dedicado à gastronomia?” De cá, respondo: andei provando espumantes, em Bento Gonçalves, aqui onde estou, no VIII Concurso do Espumante Brasileiro que termina hoje . Vinicius de Moraes, nosso poeta camarada (já disse Toquinho), nasceu em 19 de outubro de 1913, no Rio de Janeiro, onde viria a falecer em 1980.  Era um amante do bem viver. Do amar, escrever, compor, cantar, e também do comer e beber. Seu encanto pela culinária aparece em muitas das suas poesias, musicadas ou não, algumas delas escritas na dor das saudades do Brasil quando de suas ausências do país, forçadas pelo exílio político ou a serviço do Itamaraty, diplomata que foi.  Saravá, Vinícius! Que amanhã, quando completaria 100 anos, a gente faça uma oração à genialidade, irreverência e elegância eternas do Poetinha: “... que não seja imortal, posto que é chama. Mas que seja o infinito enquanto dure.” Amém.
 (*Soneto da Fidelidade, 1960)

Companhia das Letras
Pois sou um bom cozinheiro
Receitas, histórias e sabores da vida de Vinícius de Moraes. A obra, editada pela Companhia das Letras e recém lançada em homenagem ao centenário do Poetinha, foi organizada por Edith Gonçalves e Daniela Narciso e traz as receitas por ele apreciadas e descritas, bem como memórias afetivas. Quando ele fala em “desejo súbito de alcachofras”, o livro traz uma receita elaborada por Flavia Quaresma, por exemplo. Na internet, na Livraria da Folha e na Saraiva. A partir de R$ 70.

Feijoada à moda do Poetinha
Vinicius “declama” a sua receita de feijoada, Feijoada à minha moda . Não deixe de ouvi-la, e também ao Soneto da fidelidade.

“... o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor... Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor? (...)”
Para Viver Um Grande Amor  - 1962

Receita de mulher - 1957
 (...) Os olhos, que sejam de preferência grandes 

E de rotação pelo menos tão lenta quanto a da Terra; e 

Que se coloquem sempre para lá de um invisível muro de paixão 
Que é preciso ultrapassar. (...)

Gilmar Gomes
VIII Concurso do Espumante Brasileiro
Termina hoje, em Bento Gonçalves, o VIII Concurso do Espumante Brasileiro,  do qual estou participando como jurada a convite da Associação Brasileira de Enologia, que promove a avaliação que consolida os processos de melhoria e reconhecimento da qualidade dos espumantes nacionais.  O evento integra a programação oficial da Festa Nacional do Espumante (3 a 27 de outubro de 2013, em Garibaldi – RS), onde acontecerá, hoje, a premiação.

Wikipedia Creative Commons
Vatapá
 “(...) Mantende, se tiverdes mais de cinqüenta anos, uma dieta relativa durante a semana a fim de que vos possais esbaldar nos domingos com aveludadas e opulentas feijoadas e moquecas, rabadas, cozidos, peixadas à moda, vatapás e quantos(...).(Amigos meus)
100ml de azeite-de-dendê
2 cocos secos
0,5kg de camarão defumado sem as cabeças
1kg de camarão fresco
1kg de garoupa em cubos de 2 cm
250g de amendoim torrado
4 cebolas picadas
2 dentes de alho picados
1 pão de forma sem casca
250g de castanhas de caju
Pimenta dedo-de-moça
Gengibre a gosto
½ maço de coentro fresco

1.         Tire a parte escura do coco. Rale a parte branca e junte 1 litro de água. Esprema, reservando, em separado, o bagaço e o leite apurado.
2.         Com o leite de coco, amoleça o pão adormecido e liquidifique-o. Reserve.
3.         Processe ou liquidifique também o amendoim, camarões secos, castanhas, pimenta e gengibre. Junte essa massa ao molho, feito com a garoupa e o camarão temperados com cebola, alho e coentro. Leve tudo ao fogo para engrossar. Depois, adicione o leite de coco mais grosso e o azeite de dendê.
4.         Acerte o sal, coloque coentro picado e sirva.
  
Papos de anjo
“Para jantar, uma galinha ao molho pardo, um arroz bem soltinho e papos-de-anjo. Mas daqueles que só a mãe da gente sabe fazer. Daqueles que, se a pessoa fosse honrada mesmo, só devia comer metida num banho morno e em trevas totais, pensando no máximo na mulher amada.”
Carta a Tom Jobim, exílio na França - 1964

12 gemas
1 litro de água
1 Kg de açúcar
24 cravos da índia
24 forminhas médias de empada untadas com manteiga
Manteiga para untar

1. Faça uma calda rala com o açúcar e a água, e reserve, mantendo quente.
2. Bata as gemas na batedeira por uns 10 a 15 minutos, até dobrarem de volume. Coloque as gemas batidas nas forminhas untadas, enchendo somente até a metade, pois a massa crescerá.
3. Leve as forminhas ao forno médio (180oC), em banho-maria, e deixe assar até dourar os papos de anjo.
4. Leve a calda rala para ferver em fogo baixo, tire os papos de anjo ainda quentes das forminhas e jogue-os na calda fervente, sem amontoá-los (alguns de cada vez). Cozinhe-os por 5 a 8 minutos, virando na metade do tempo, com a ajuda de uma colher. Retire-os, coloque numa compoteira, espetando um cravo-da-Índia em cada.
5. Ao final, junte a calda restante, deixe esfriar e leve à geladeira.



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Lu