Gastronomia, culinária e outros interesses para os apaixonados
pelo prazer de cozinhar, comer bem e harmonizar.

Por Luciane Daux

sexta-feira, outubro 15, 2010

15/10/2010 - Siri!


EDIÇÃO DE 15/10/2010 DA COLUNA COZINHA DE ESTAR/JORNAL NOTÍCIAS DO DIA, por LUCIANE DAUX
 
Uma das minhas lembranças mais divertidas tem como cenário a praia de Canasvieiras, no verão. Reuníamos um grupo de amigos, todos pelos seus 12 ou 13 anos, e saímos, nas noites de lua cheia, a caçar siris. Armados de “liquinho” a gás e puçá (uma rede presa a um aro metálico), cada vez era uma farra, uma aventura. Voltávamos com o samburá cheio, e aquelas garras azuis a nos ameaçar. Depois, panelão. Tudo muda, e hoje só tem siri dando mole nas bancas do mercado público. Sendo o peixeiro de confiança, não tem mal algum. Vamos lá buscar aquela carninha branca e saborosa, para depois, com uma cervejinha bem gelada, degustá-la numa das receitas abaixo.



“Era o prato predileto de Vadinho, nunca mais em minha mesa o servirei. Seus dentes mordiam o siri-mole, seus lábios amarelos do dendê. Ai, nunca mais seus lábios, sua língua, nunca mais sua ardida boca de cebola crua!” (Dona Flor lamentando a morte de Vadinho, ao ensinar a receita de moqueca de siri-mole, em Dona Flor e seus Dois Maridos, de Jorge Amado) (foto capa filme Dona Flor ...)

Siri na balança ...
Cada 100g de siri = 100 calorias




Boca de siri, hein? (ilustração divulgação)
A observação do procedimento comum desses animais deu origem à expressão “boca-de-siri”, que considera não só as suas garras como tal, mas principalmente o fato de que as pinças que possuem não se abrem com facilidade depois que seguram os alimentos. Considerando-se que o ato de fechar a boca implica também em se ficar calado, a expressão “fazer boca-de-siri” passou a identificar o segredo rigoroso que não se espalha porque a boca de quem o conhece não se abre para contá-lo. (Colaboração: Fernando Kitzinger Dannemann)


Para colecionar
Moqueca de siri (foto Ana Aguirre)
2 cubos de caldo de peixe desmanchados em 1 litro de água
500 g de carne de siri limpa
4 colheres de sopa de azeite de oliva
2 dentes de alho picados
2 tomates em rodelas
1 cebola em rodelas
1 pimentão verde em rodelas
1 vidro pequeno de leite de coco
2 colheres de sopa de coentro fresco picado
4 colheres de sopa de azeite de dendê
cebolinha verde
2 colheres de sopa de manteiga
farinha de mandioca
sal a gosto

Arroz branco para acompanhar
Farofa de dendê para acompanhar

1. Aqueça um pouco de azeite de oliva, junte a cebola, pimentão e os tomates e refogue por cerca de 5 minutos.
2. Junte a carne de siri, sal e deixe cozinhar por 10 minutos. Junte o caldo de peixe, e adicione o coentro picado. Por último, acrescente uma colher de sopa de azeite de dendê.
3. Salpique de cebolinha verde.
4. Farofa de dendê: derreta a manteiga, junte o dendê restante, a farinha de mandioca, sal, e faça uma farofa, no fogo baixo.
5. Sirva a moqueca com o arroz branco e a farofa de dendê.

Lasanha de siri (foto divulgação)
(Chef André Vasconcelos)
Ragu de siri:
1kg de carne de siri limpa
1 copo de vinho branco (200 ml)
1 cebola grande finamente picada
2 colheres de sopa de mostarda de Dijon
1 copo de nata fresca (250 g)
2 colheres de manteiga
sal e pimenta branca moída

Tartar de tomates:
½ kg de mussarela búfala ralada
1kg de tomates sem pele e semente em cubinhos
2 colheres de sopa de tomilho fresco
sal e pimenta branca moída

1 pacote de massa de lasanha (se sêmola)

1. Para o ragu: derreta a manteiga em uma panela de fundo grosso e “murche” a cebola. Coloque depois o siri e refogue até secar toda a água. Acrescente o vinho e deixe evaporar.
2. Tempere com a mostarda e acerte o sal e a pimenta a gosto. Por fim coloque a nata e amorne.
3. Para o tartar: misture os ingredientes e tempere com sal e pimenta.
4. Montagem: em uma forma refratária, de preferência de cerâmica artesanal, coloque uma camada do tartar, em seguida a massa e depois uma camada de ragu. Repita até finalizar e cubra com uma camada de mussarela de búfala e rodelas de tomates.
5. Leve ao forno quente por trinta minutos.
Agradecimento: Chef André Vasconcelos – Bistrô Muito Além do Jardim

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