Gastronomia, culinária e outros interesses para os apaixonados
pelo prazer de cozinhar, comer bem e harmonizar.

Por Luciane Daux

domingo, novembro 23, 2008

23/11/08 - COZINHA DE ESTAR: SABOROSA HERANÇA GREGA

Edição de 22/11/2008 - domingo - Jornal Notícias do Dia (Florianópolis/SC)


Corria o ano de 1883, quando o veleiro mercante Lefki Peristerá, capitaneado por Savas Nicolau Savas, aportou em Florianópolis. Muitos dos embarcados – a maioria da Ilha grega de Kastelórizon, no mar Egeu -, encantados com a beleza da nossa Desterro, decidiram aqui ficar. Para nosso deleite, os Garofallis, Lacerda, Dimatos, Kotzias, Savas, Jannis, Atherino, Pítsica, entre tantos outros gregos, trouxeram consigo as receitas de dolmathakia, moussaka, kourabie, tzatziki, salada grega (com o queijo feta), etc. Comidas saudáveis, típicas do mediterrâneo, que têm como segredo os ingredientes frescos, as ervas aromáticas, o azeite de oliva (grego, é claro) e a simplicidade, que distingue desse povo festivo e hospitaleiro.

PARA PROVAR
Vitor Gomes elaborou menu especial de harmonização com os vinhos da Villa Francioni. São cinco pratos, harmonizados com quatro vinhos diversos. Especial atenção ao lançamento do Sauvignon Blanc 2008. Valor por pessoa R$130,00 (menu especial do dia, e uma taça de cada dos vinhos servidos)
Serviço:
Nesta 3ª feira, 25/11, a partir das 19h30m
Café Riso – Rua Bocaiúva, 2090
Reservas: [48] 9943-5222

DEMÉTER (foto – divulgação)
A Zeus ela deu uma filha, Perséfone, que foi raptada por Plutão (Hades). Deméter, na sua fúria de mãe, abandonou o Olimpo e não permitiu que nada germinasse da terra, até obter sua filha de volta. Zeus ordenou, então, que Hades devolvesse Perséfone. Com a satisfação de recuperar a filha perdida, Deméter voltou ao Olimpo, fez com que os cereais brotassem novamente, e com que toda a Terra se enchesse de frutos e flores. Era invocada como deusa grega da fecundidade da terra, da colheita e da semeadura. Também conhecida pelos romanos como Ceres, de onde deriva a palavra cereal.



PARA ASSISTIR (foto – divulgação)
O CASAMENTO GREGO – O dia-a-dia de uma família grega - dona de um restaurante típico, portanto, aproveite: mostra receitas fantásticas -, abordado de forma alegre e bem característica. Um pai grego que não se conforma com a paixão da filha, de 30 anos, por um inglês. Comédia romântica e de bom gosto.

PARA OUVIR E DANÇAR (foto divulgação)
Quem assistiu o filme ZORBA, O GREGO (1964), sabe que, quando começa a tocar Zorba’s Dance, é impossível não querer acompanhar o crescente do bouzouki (instrumento de cordas). Assista a cena original em P&B, onde Anthony Quinn dança o xasápico. (No http://www.youtube.com/ , procure por Zorbas dance movie scene)

CAFÉ
Com CHEF SPIRIDOULA BAPTISTA

(foto divulgação)
Só de ouvi-la cantando na Banda Dasantigas, ou na novíssima Banda Sabor Brasil, já se pode imaginar que tipo de pessoa ela é: doce, como os kourabies que faz. As duas receitas que publicamos hoje, já tive o prazer de comer, feitas pelas mãos de Spiri. São de se ajoelhar e pedir bis ... O que a deixa feliz? Reunir os amigos e sua linda família, à mesa, em volta dos seus pratos gregos, já que nasceu e viveu na Grécia até seus 9 anos, na distante ilha de Zakynthos. Assim, casada e mãe de dois filhos já adultos, decidiu cursar Gastronomia na Unisul. Saiu da faculdade encorajada a montar o 1º restaurante grego de Florianópolis, um projeto para 2009. Que os Deuses do Olimpo conspirem, e, em breve, tornem esse sonho uma realidade!


PARA COLECIONAR
PASTITIO
(foto Luciane Daux)
(Chef Spiri Baptista)
1 pacote de macarrão furadinho cozido al dente
8 colheradas de manteiga
700 g de carne moída
1/2 copo de óleo
1 cebola grande picada fina
3 tomates picados, sem pele e sem sementes
1 colher de sopa de extrato de tomate
3 xícaras de queijo parmesão ralado
6 colheradas de farinha de trigo
1 litro de leite
2 ovos batidos
noz moscada, sal, pimenta do reino (ao gosto)

Preparo:
1. Misture 4 colheradas de manteiga bem derretida ao macarrão cozido, e reserve o restante. Coloque a metade da massa num refratário. Reserve a outra metade.
2. Doure a cebola no óleo, junte os tomates picados e refogue.
3. Acrescente a carne moída, refogue por 5 minutos, junte o extrato de tomate, o sal e a pimenta. Cozinhe por 10 minutos.
4. Espalhe sobre o macarrão que está no refratário, e cubra com o restante da massa que está à espera.
4. Numa outra panela, frite a farinha de trigo na manteiga restante. Acrescente o leite de forma a não deixar empelotar, mexendo até engrossar. Junte a noz moscada. Desligue.
5. Acrescente os dois ovos ao creme e mexa vigorosamente.
6. Espalhe o creme bechamel por cima de todo o prato. Polvilhe com queijo ralado e leve forno médio ate dourar.

KOURABIE (foto – divulgação)
(Chef Spiri Baptista)
400 g de manteiga (2 tabletes) em temperatura ambiente
150 g de açúcar
2 colheres (sopa) de açúcar de baunilha
600 g de farinha de trigo
½ cálice de conhaque
1 colher (chá) de cravo moída
1 colher (chá) de fermento Royal
50 g de amêndoas ou nozes torradas e moídas
200 g de açúcar de confeiteiro

1. Bata a manteiga até formar um creme esbranquiçado. Acrescente o açúcar e o açúcar de baunilha aos poucos, e bata por mais 5 minutos.
2. Junte os outros ingredientes, exceto o trigo. Bata. Acrescente a metade do trigo, com a batedeira na velocidade mínima.
3. Coloque a massa em cima da mesa e adicione a outra metade do trigo aos poucos, mexendo delicadamente, com as mãos.
4. Modele os biscoitos em ´S` ou no formato que preferir.
5. Asse em forno pré-aquecido, a 190 °C, por 15 minutos ou até que fiquem levemente dourados.
6. Retire do forno e polvilhe com o açúcar de confeiteiro.

16/11/08 - COZINHA DE ESTAR: CHOVE CHUVA, CHOVE SEM PARAR

Edição de 16/11/2008 - domingo - Jornal Notícias do Dia (Florianópolis/SC)

CHOVE, CHUVA, CHOVE SEM PARAR
Nessa semana, em Florianópolis, só se falou de dois assuntos: o Avaí (meu Avaí!!), que foi para a série A, e da tal da chuva, que não deu trégua. Então tá: quem está na chuva é pra enfiar os dois pés na jaca. Vamos contra-atacar com pipoca com manteiga, bolinho de chuva e brigadeiro de colher. Estávamos mesmo precisando de uma desculpa para corrermos para o abraço, e nos entregarmos às receitas representantes máximas da gula. Ah! Li na previsão do tempo que 2ª feira vai limpar, pode até dar Sol... Como é mesmo aquele ditado? Não deixe para amanhã o que se pode comer hoje!

FRASE
“Esses que puxam conversa sobre se chove ou não chove - não poderão ir para o Céu! Lá faz sempre bom tempo...”
Mário Quintana

CAFEZINHO COM


A Sommelier REGINA ESSENBURG Regina é mais que empresária: como costuma acontecer com quem coloca paixão no que faz, é uma empreendedora. Junto com Nelson - marido e sócio -, ela está à frente da Essen Vinhos (loja e representação de vinhos), de reconhecida solidez no mercado de Florianópolis e SC. Em 2007 graduou-se Sommelier pela Sommeliére FISAR/Federação Italiana de Sommeliers (UCS/RS em convênio com ICIF/Instituto Italiano de Culinária para Estrangeiros/Itália). Acaba de chegar da Itália, aonde foi fazer o Master Wine Toscana. Ano passado, fez no Piemonte. Para ela, "as mulheres têm uma relação mais intensa com o mundo do vinho, mergulham mais neste universo, tornam-se mais íntimas. É um sentimento incomparável".
(foto – divulgação)


PARA ASSISTIR
(foto – divulgação)
A gastronomia desde sempre inspirou filmes interessantes. Para acompanhar nossas receitas de hoje, passe na sua vídeo-locadora e pegue: Festa de Babette, Como água para chocolate, Vatel, O cozinheiro, o ladrão, sua mulher e o amante, O jantar, O fabuloso destino de Amélie Poulain.

PARA EXPERIMENTAR
(foto – Fernando Willadino)
As TEMAKERIAS viraram febre nos grandes centros, como Rio de Janeiro e São Paulo, e já conquistam o gosto popular dos brasileiros. É um fast food japonês, que tem como carro-chefe o TEMAKI – um sushi maior em forma de cone, feito de folha de alga, recheado com arroz, frutos do mar e outras combinações. Alimento leve e saudável, dispensa os tradicionais palitos e é comido com as mãos. A moda já chegou à Florianópolis, na recém-inaugurada Yaah Temakeria, recém-instalada numa das esquinas das ruas Bocaiúva e Altamiro Guimarães.

SABOR DO SUL
(foto – Luciane Daux para Ajinomoto)
A Ajinomoto lançou o novo Tempero SAZÓN® Sabor do Sul, inspirado no paladar nos consumidores de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. Feito com ingredientes naturais, tem um toque de alecrim e tempero verde, e oferece a praticidade de vir em sachês, para serem usados diretamente no alimento.

PARA BEBER
SURAZO GRAN RESERVA CABERNET SAUVIGNON 2002 – Chile. R$ 132,00. Bem equilibrado, aveludado, frutado, e persistente, passa 6 meses em tonel de madeira, vai bem nesse restinho de frio de primavera, e acompanha bem queijos fortes e carnes. A dica é de Cyro de Camargo Neto, do Emporium Bocaiúva/Florianópolis. Fone [48] 3224-1670.

COLECIONE I
BRIGADEIRO DE COLHER
(foto – divulgação)
1 lata de leite condensado
1 colher (sopa) de manteiga
3 colheres (sopa) de chocolate em pó

Numa panela, em fogo baixo, derreta a manteiga, junte o leite condensado e o chocolate em pó.
Mexa sempre, por uns 8 a 10 minutos, até engrossar.
Cuide para que não grude no fundo da panela.
Coloque o brigadeiro num prato fundo e sirva com colheres de sobremesa.

COLECIONE II
BOLINHOS DE CHUVA
2 colheres (sopa) de manteiga sem sal, temperatura ambiente
1 xícara (chá) de açúcar
2 ovos inteiros
2 ½ xícaras (chá) de farinha de trigo
½ colher (chá) de sal
2 colheres de chá de fermento em pó (químico)
4 bananas (opcionais)

Canela em pó e açúcar para polvilhar

Óleo de soja para fritar

1. Bata a manteiga com o açúcar, até obter um creme bem claro.
2. Junte os ovos, um a um, batendo sempre.
3. Acrescente a farinha e o fermento peneirados, e bata até obter uma massa lisa e homogênea.
4. Se preferir, corte bananas em rodelas de 1 cm de espessura, e misture à massa
5. Aqueça o óleo, e vá colocando a massa às colheradas.
6. Escorra em papel absorvente, passe os bolinhos no açúcar com a canela, e sirva.
(foto – divulgação)

sábado, novembro 15, 2008

09/11/2008 - COZINHA DE ESTAR: NA PONTA DOS DEDOS

NA PONTA DOS DEDOS
Edição de 09/11/2008 - domingo - Jornal Notícias do Dia (Florianópolis/SC)
(fotos/divulgação)


Como podemos ter sobrevivido todos esses anos, na cozinha, sem internet? Mal me lembro do tempo em que, papel e caneta na mão, ia “bater perna” para encontrar aquela frigideira fantástica, ou o novo acessório para pelar alhos (que eu vi na casa da prima da cunhada da minha vizinha - uia, que inveja!).
Que nada! Você digita o tipo de produto que procura, num desses comparadores (http://www.jacotei.com.br/ ou http://www.bondfaro.com.br/, por exemplo), e acaba ficando até confusa, tantas são as opções e preços.
E “fazer” supermercado, então? Você faz as compras da semana e, no período marcado, litrões de refri e a fruta bem escolhida se materializam na sua porta, num clic de mágica dos entregadores, que, mais gentis, só se organizarem a sua geladeira. E – olha! - não é má idéia ...
Se o mundo ficou menor que um ovo, a internet é a sua maior aliada na cozinha. Use a praticidade, na ponta dos dedos, a seu favor. E desengavete aquela receitinha especial que, há muito, você não encontrava um tempo para fazer. Encontrou!

SERVIÇO
Na grande Florianópolis, alguns supermercados fazem delivery (entrega a domicílio), mediante uma pequena taxa, conforme o bairro. Você agenda o dia e o período de entrega, e pode pagar em dinheiro, cheque, cartão de crédito, ticket de papel ou magnético. Vale a pena conhecer o serviço. Acesse:
http://www.hippo.com.br/
http://www.angeloni.com.br/

PARA COMPRAR - Pelador de Alho Quadrifoglio – Feito em silicone. Basta você colocar um ou dois dentes de alho dentro do cilindro, e rolar sobre a bancada. A pele sai com facilidade, e as suas mãos continuam cheirosinhas. R$ 11,04 na http://popstore.vendapontocom.com.br/
(foto divulgação)






ADEGA INTERATIVA
A rede de supermercados Imperatriz lançou a ADEGA INTERATIVA, que ajuda você a harmonizar vinhos e receitas de forma muito simples. Num terminal touch-screen, você seleciona o vinho e recebe a sugestão de receita. Ou faz ao contrário: informa que receita quer fazer, e o vinho mais harmônico lhe é indicado. A receita é impressa na hora, e você já sai do supermercado com o seu jantar especial todo planejado, e comprado.







(foto divulgação)


Café na Cozinha com
CHEF VITOR GOMES

(foto – Phillippe Arruda/divulgação)
Como fã e amiga, sou suspeita para falar, mas o enorme sucesso que as suas empreitadas alcançam confirmam minha impressão. Em 2004, no auge do sucesso de uma sociedade na área de gastronomia, Vitor se desprende e vai morar na Europa, onde, entre cursos e estágios, trabalhou no renomado Lê Divellec, em Paris. Na volta ao Brasil, estagiou no D.O.M., em São Paulo. Em Florianópolis, já há mais de um ano planejava, com o sócio Luís Grassia, o “Café Riso & Etc”, aberto em outubro/08. Carta de vinhos bem selecionada e com excelente custo-benefício, a casa tem sommelier residente, Eduardo, que propõe harmonizações interessantes. Não deixe de provar os doces maravilhosos, excelente casamento com um espresso. Espaço charmoso e de bom gosto, a proposta é valorizar um ingrediente em especial, o arroz (riso, em italiano), no cardápio montado pelo Chef Vitor. Além do produto em destaque no menu, na forma de risotos, “Riso” também remete ao bom humor, às risadas e ao clima alegre que a nova casa tem, e que, cá entre nós, além de ser o clima ideal para fazer uma boa refeição, é bem como o Vitor.
Serviço:
Café Riso & Etc – Rua Bocaiúva, 2090 Centro. Florianópolis/SC Reservas: (48) 3223-8753.

CORDEIRO EM CROSTA DE ERVAS

(foto – Phillippe Arruda/divulgação)
(Chef Vitor Gomes)
12 costeletas de cordeiro
100 g de crosta de ervas
30 g de mostarda Dijon
100 ml de glacê de cordeiro
ervas para decorar

300 g de risotto de limão (para acompanhar)

1.Tempere as costeletas de cordeiro com sal, pimenta, alguns ramos de tomilho, e deixe-as marinar por 30 minutos.
2. Sele rapidamente as costeletas de todos os lados, em frigideira muito quente, até que estejam ligeiramente coradas. Retire, pincele com mostarda Dijon em uma de suas faces e empane na crosta de ervas. Leve ao forno para secar a crosta.
3. Monte o prato dispondo o risotto de limão, guarnecido pelas costeletas e regado pela glacê de cordeiro.

*Crosta de ervas (para o preparo de 500 g) – 01 pão de forma sem casca torrado, 02 dentes de alho sem o germe, 01 ramo de tomilho + 01 ramo de alecrim + 01 ramo de hortelã bem picados, uma pitada de sal e pimenta o quanto baste.
Seque as fatias do pão de forma no forno médio, até que estejam levemente torradas e crocantes. Em um processador coloque o pão, as ervas já bem picadas, o alho bem picado e processe, até que se forme uma “farofa” de cor esverdeada. Faça a correção de sal.Pode ser congelado.

COLECIONE
SPAGHETTI COM BERBIGÃO (vôngole)

(foto - divulgação)
500 g de spaghetti de sêmola cozido
250 g de berbigão com casca
500 g de berbigão limpo e cozido
½ xícara de chá de azeite de oliva
4 tomates maduros
2 dentes de alho
2 cebolas picadas
1 colher de chá de orégano
½ xícara de chá de salsa picada
1 limão

1. Coloque os berbigões com casca em uma vasilha com água e o limão espremido e reserve.
2. Corte os tomates em pedaços bem pequenos, e retire as sementes. Reserve.
3. Refogue o alho e a cebola no azeite. Assim que começar a dourar jogue os tomates picados e refogue-os até desmanchá-los.
4. Feito o molho, junte o orégano e o sal, misturando mais um pouco.
5. Junte os berbigões com e sem casca e a salsa.
6. Coloque no prato o macarrão já cozido e o molho por cima, com mais um pouco de azeite.
7. Rendimento: 6 porções

02/11/08 - COZINHA DE ESTAR: ISTAMBUL


















ISTAMBUL:
OS MIL E UM TEMPEROSEdição de 02/11/2008 - domingo - Jornal Notícias do Dia (Florianópolis/SC)
(fotos/divulgação)

No século XV, quando dominavam a rota do Mar Mediterrâneo, os comerciantes italianos de Gênova e Veneza tinham o monopólio das especiarias, que compravam no Oriente - principalmente na Índia e China -, e vendiam no mercado europeu com grande lucro. Em 1453, os turcos otomanos conquistaram Constantinopla (em grego: Κωνσταντινούπολη), considerada a principal cidade na rota de passagem do comércio de especiarias para o Ocidente, e bloquearam o comércio com os cristãos. Em 1498, o navegador português Vasco da Gama conquista um novo caminho para as Índias, contornando a costa da África ... e o mundo ficou muito mais temperado!
Inevitavelmente, você se lembra disso tudo quando se vê lá, no meio do Misir Carsi (Bazar Egípcio, de Especiarias), em Istambul - antiga Constantinopla -, uma cidade com incríveis 12 milhões de habitantes. Os aromas invadindo o seu nariz, as cores vibrantes do açafrão, das folhas de videira (para o charutinho) e das pimentas na sua retina, os sabores das romãs, figos, tâmaras e damascos explodindo na sua boca, o burburinho de um comércio milenar. No meio da tarde, uma voz ecoa num dos muitos alto-falantes da cidade, e eles fazem uma das cinco orações diárias: Subhána Rabbi'l Aalá ua be-hamdeh... E você se emociona, e se dobra em respeito a essa mágica cultura do oriente, viva no imaginário de cada um de nós, e também na cozinha exótica e rica.

PARA COMER E BEBERDöner Kepab (kebab) – São fatias de carnes temperadas e espetadas num eixo vertical giratório, e assadas num grill. Pode ser feito de carne bovina, de frango, mas o tradicional é feito com carne de cordeiro. Come-se fatiado fino, dentro do pão pita, com cebola crua, tomate em rodelas e chili.

BAKLAVA - Doce feito com finíssima massa folhada, recheado com pistaches ou nozes, e coberto com calda de açúcar e mel. Os turcos contam que, no Palácio Topkapı, em Constantinopla, o Sultão costumava presentear a sua guarda com travessas do doce, no décimo quinto dia do Ramadã, realizando uma procissão cerimonial chamada Baklava Alayı.

Chá TurcoÉ um gesto de hospitalidade e cortesia do povo turco oferecer chá preto ou de maçã, em pequenos copos de vidro colorido. Aceite! É muito saboroso e absolutamente típico.

Café turco – Numa cevze (caçarola especial), ferve-se a água, o pó de café e o açúcar. Sem coar, serve-se o líquido espumante em xícaras, de preferência com o desenho do harém do Palácio Topkapı. Depois de apreciá-lo lentamente, dando tempo de o pó descer para o fundo da xícara, peça a um expert para ler a borra do seu café. E torça para que voltar à Turquia esteja escrito no seu futuro ...



PARA COLECIONAR
FOLHAS DE VIDEIRA RECHEADAS (Charutinho)
500 g de folhas de videira
2 ½ copos de água quente
1/2 copo de azeite de oliva
25 g de açúcar
1 limão
Recheio:
1 1/2 copo de arroz cru
1/2 copo de azeite de oliva
2 cebolas picadas
3 tomates picados
½ xícara de chá de folhas de hortelã picadas
1 colher de chá de pimenta preta moída
1 colher de chá de pimenta da Jamaica moída
½ copo de água
Sal a gosto

1. Numa panela funda, ferva água abundante e coloque ali as folhas de videira por 2 minutos. Retire e reserve.
2. Numa tigela, misture com a mão o arroz com o tomate, a cebola, a hortelã, o azeite, o sal, as pimentas e a água. Misture bem.
3. Coloque uma colher de chá de recheio sobre cada folha de videira, espalhando-o depois no sentido do comprimento e dando-lhe uma forma tubular. Dobre a parte de cima e a de baixo da filha sobre o recheio, e enrole a folha, apertando o recheio. Cuidado: não aperte demais, pois o arroz crescerá ao cozinhar.
4. Coloque os charutinhos numa panela, encaixadinhos, ser deixar espaços entre eles.
5. Numa tigela,misture a água, o açúcar, o azeite e o sal e cubra os rolinhos com esta mistura.
6. Tampe a panela, e cozinhe os rolinhos em fogo médio por 30 minutos.
7. Sirva com limão.

DOCE DE FIGOS SECOS COM NOZES
500 g de figos turcos secos
Suco de um limão
½ xícara (chá) de açúcar
2 xícaras (chá) de água
1 xícara (chá) de nozes picadas
2 colheres de sopa de água de laranjeira

Lave bem os figos, e corte-os em 4 pedaços.
Leve ao fogo médio uma panela com o suco de limão, o açúcar e a água. Deixe ferver e acrescente os figos. Cozinhe por 20 minutos, mexendo sempre para não pegar no fundo da panela.
Junte a água de laranjeira, cozinhe mexendo por mais 5 minutos, e desligue o fogo.
Acrescente as nozes picadas.
Deixe esfriar e transfira o doce para um pote com tampa.
Sirva com um queijo forte, ou sozinho.

26/10/08 - COZINHA DE ESTAR: OLHA O SORVETE!

OLHA O SORVETE!






Edição de 26/10/2008 - domingo - Jornal Notícias do Dia (Florianópolis/SC)

(fotos/divulgação)

Quem diria: a história do sorvete começa há 3 mil anos, num concurso criado pelo Palácio Real da China! A receita original continha neve das montanhas, suco de frutas e mel. Tão logo chegou à Itália, através de Marco Pólo (que também levou da China o arroz e o macarrão), o sorvete ganhou novos ingredientes. Foi ficando cada vez mais acessível e, com sua chegada aos Estados Unidos e a sua industrialização, o sorvete se tornou definitivamente popular.
Em 1834, o navio americano Madagascar, vindo de Boston, aportou na cidade do Rio de Janeiro com cerca de 200 toneladas de gelo em bloco. Foi a primeira vez que fez-se sorvete em terras brasileiras, e, com uma gama imensa de sabores de frutas, ganhou adeptos famosos, como Dom Pedro II.
Aproveite o clima, que está esquentando, para esbaldar-se nessa delícia.
PARA LER
CONFORTE-ME COM MAÇÃS
– Editora Objetiva. A autora, Ruth Reichl, foi crítica de gastronomia do The New York Times e editora de culinária e crítica do Los Angeles Times, e hoje é editora-chefe da revista americana Gourmet. Neste livro, ela conta sobre o início da carreira, como freelance, até chegar ao topo, como uma respeitável crítica gastronômica. Muitas aventuras ao redor do mundo, em busca da receita perfeita, numa narrativa envolvente e saborosa. Muitas dicas receitas para os amantes da culinária. A autora também escreveu Alhos e Safiras, e A Parte Mais Tenra. Excelente leitura.

DICAS
CONSERVAÇÃO DE ALIMENTOS - O Chef Carlos Lenz, do Ataliba, dá dicas sobre conservação de alimentos:
Os últimos alimentos a serem colocados no carrinho de supermercado são os refrigerados e congelados
Não compre latas amassadas e estufadas
Alimentos devem ser descongelados na parte de baixo da geladeira, nunca fora dela.
Sempre armazene os alimentos na geladeira em utensílios fechados.

PARA COLECIONAR
PAVÊ DE SORVETE

1 pacote de biscoito champanhe
1/2 litro de sorvete de creme
500ml de nata batida em chantily
100g de frutas cristalizadas

Calda:
300ml de leite
2 colheres (sopa) de chocolate em pó
1 colher (café) de café solúvel
licor a gosto

Forre o fundo de um refratário com biscoito inglês.
Molhe com a calda, coloque uma camada de sorvete misturado com frutas cristalizadas e outra com chantilly e vá alternando com biscoito, sorvete e chantilly.
Leve ao freezer no mínimo 4h e retire alguns minutos antes de servir.
Se quiseres, coloque compota de frutas por cima.
Rende 8 porções.

SORVETE DE CAPUCCINO

1 litro de creme de leite
2 latas de leite condensado
150 g de nozes picadas
100 g de chocolate meio amargo ralado
1 colher de sopa de nescafé, dissolvido numa colher de água fria
1. Bata o creme de leite até engrossar (chantilly).
2. Coloque 2 latas de leite condensado, sempre batendo, e acrescente o nescafé já diluído.
3. Tire da batedeira e coloque as nozes e o chocolate ralado.
4. Forre um refratário com papel alumínio e despeje o sorvete.
5. Leve ao freezer por pelo menos 6 horas.
6. Desenforme. Sirva com calda quente de chocolate.

18/10/2008 - COZINHA DE ESTAR: UMA COZINHA PORTUGUESA, COM CERTEZA

Edição de 19/10/2008 - domingo - Jornal Notícias do Dia (Florianópolis/SC)
(fotos/divulgação)

UMA COZINHA PORTUGUESA, COM CERTEZA
Experimente conversar com um português que goste de gastronomia. Prepare-se para, humildemente, baixar as orelhas enquanto ele, entre pezinhos (de coentro e de porco), lhe dá uma aula sobre bem comer, beber e viver. Portanto, faça-o munido(a) de taça e um bom tinto. Um Quita do Zambujeiro, quem sabe (e o amigo português vai perguntar: “- Qual deles? O Quinta, ou o Terras?”. Daí, baixe as orelhas de novo, e escute...).
Nossa variedade de peixes e frutos do mar, aqui no litoral catarinense, casa bem com a preferência da cozinha portuguesa, caracterizada por receitas perfumadas e substanciosas (às vezes deliciosamente frugais), ricas em ervas, sobretudo.
Fico imaginado uma horta repleta de alecrins, coentros, tomilhos, beldroegas ...
Ah, que vontade dos pastéis de Belém, dos olivais de Trás-Os-Montes. Que saudades de Portugal!

PARA LER

A DOÇARIA TRADICIONAL DE PELOTAS. Raul Lody e Mário O. Magalhães, fotos de Humberto Medeiros. Editora SENAC. Os segredos dos doces finos portugueses, incorporados à cultura gaúcha, nas receitas dos tradicionais doces de Pelotas.






CAFEZINHO COM ...
ALEXANDRE MENDES
Há 30 anos no Brasil – 12 deles em Florianópolis, esse lisboeta e sua esposa, Marie (ela também Chef), ajudaram a trazer a alta gastronomia para Florianópolis, no seu charmoso Bistrot Le Bon Vivant, estrada dos Ingleses. Como consultor, tem se
dedicado ao Restaurante Starck, da Confraria das Artes, e à produção do programa Heaven´s Kitchen, na Record News, apresentado pela graciosa Heaven, sua filha. Chef talentoso, Alexandre é - antes de tudo - um gentleman, capaz citar Camões para manifestar a surpresa, diante de um cliente que desconhece o peixe Tamboril. “Por mares nunca dantes navegados, mais do que permitia a força humana”, ele diz que é assim: “a novidade e criatividade sempre assustam os homens abatidos, que andam por caminhos batidos”.

MEXILHÕES NA CATAPLANA À MODA DO RIBEIRÃO DA ILHA
(Chef Alexandre Mendes)
1,5 Kg de mexilhões médios (mariscos)
3 colheres de sopa de azeite de oliva
7 dentes grandes de alho
1 ramo de coentros
pimenta preta moída a gosto
suco de 2 limões
1 pão italiano
1/2 copo de vinho Sauvignon Blanc

1. Compre mexilhões de tamanho médio (são mais tenros);
2. Na cataplana (ou recipiente de paella), coloque o azeite e o alho e deixe alourar, ligeiramente. Adicione meio copo de Sauvignon Blanc.
3. Introduza os mexilhões e espalhe os coentros picados, tempere com pimenta moída na hora.
4. Feche a cataplana e, em fogo forte, deixe ferver. Faça os mexilhões saltarem até abrirem.
5. Quando estiverem todos abertos, desligue o fogo e regue-os com suco de limão.
6. Sirva os mexilhões sobre fatias de pão italiano, e com limão cortado em quartos.

PARA APRENDER
CATAPLANA
A cataplana é uma panela típica do Algarve, Portugal. É feita habitualmente de cobre. Usa-se para preparar mariscos, mas também cozinha bem outras carnes. Tampada, faz um cozimento mais rápido que a panela tradicional. Também se usa o mesmo termo para designar os alimentos confecionados nesse recipiente. Um charme na cozinha!



PARA BEBER
O prazer da boa mesa está intimamente ligado à harmonia entre o prato e um vinho bem escolhido. Para acompanhar a Cataplana de Mariscos, ouvimos a opinião de Alexandre Girardi, enólogo e gerente do Emporium Bocaiúva, em Florianópolis. Ele sugere os vinhos brancos portugueses alentejanos, jovens, frutados e com alguma acidez, como o Alentejano Adega Coop de Borba Antão Vaz e Arinto, a R$ 30,30 a garrafa de 750 ml. Excelente custo-benefício.

PARA COLECIONAR
















PERNIL DE PORCO ENSOPADO À PORTUGUESA
1 kg de pernil de porco desossado
suco de um limão
10 dentes de alho picados
2 folhas de louro
1 litro de vinho branco seco
2 cenouras em rodelas
2 cebolas em rodelas
2 batatas em rodelas
½ pão caseiro em fatias
4 colheres de sopa de azeite
sal e pimenta do reino a gosto

1. Corte a carne do pernil em cubinhos de 2 cm.
2. Tempere com o suco de limão, o alho, louro, sal e pimenta.
3. Regue com o vinho branco e deixe tomar gosto por uma noite, na geladeira.
4. Escorra a carne da marinada e reserve.
5. Refogue o pernil rapidamente no azeite, junte a marinada, a cenoura, a cebola e a batata e deixe cozinhar em fogo baixo por uma hora.
6. Numa travessa, coloque as fatias de pão caseiro.
7. Sobre o pão, coloque o pernil ensopado, cuja carne deve estar se desmanchando.
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Lu